Dexametasona em pacientes hospitalizados com Covid-19

Trata-se de um ensaio clínico randomizado conduzido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, que comparou, entre pacientes com COVID-19 internados, um grupo que recebeu Dexametasona em dose baixa por 10 dias com um outro grupo que não recebeu essa medicação. Foram analisados tanto pacientes com necessidade de oxigênio (intubados e não intubados) e pacientes sem necessidade de oxigênio.

Mais de 6.000 pacientes foram incluídos na análise e os resultados apontaram que a administração dessa medicação resultou em uma menor mortalidade somente para os pacientes que estavam intubados ou recebendo oxigênio de outras formas. A dexametasona não teve efeitos positivos entre os pacientes que não estavam necessitando de oxigênio, houve, pelo contrário, uma tendência a maior mortalidade nesse grupo.

Foi um estudo muito importante pois ajudou a nortear algumas condutas no tratamento da COVID-19. Outros estudos parecidos tiveram resultados semelhantes, de modo que o entendimento atual é que pacientes internados com necessidade de suporte de oxigênio devem receber corticoide. Ainda restam lacunas de conhecimento sobre a melhor dose para cada paciente e se há diferença entre os tipos de corticoide. Já para pacientes com quadro inicial da doença e mesmo aqueles com mais tempo de sintomas, mas que não estão necessitando de oxigênio não há benefício com a aplicação deste tratamento. Os corticoides podem apresentar eventos adversos e jamais devem ser utilizados sem a prescrição médica.

Artigo: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2021436

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